domingo, 14 de agosto de 2016

Há vida estranha em restaurantes universitários







Sempre conversei com um colega sobre o comportamento famigerado de estudantes universitário. Gostávamos de ficar em locais movimentos da universidade, para poder observar as idas e vindas de alguns, as conversas paralelas entre uma aula e outra e ouvir os comentários maldosos que eles costumam fazer sobre seus professores, que também são nossos, claro.

Essa era umas das atividades divertidas de fazer dentro da universidade, porque tínhamos a oportunidade de observar o ser humano em seu momento de tensão e relaxamento: tensão porque estava dentro da universidade, local que, naturalmente, já te impões algumas regras a seguir e metas a alcançar; mas relaxamento, porque eram momentos em que respirávamos (e eles, os observados, também estavam nesses momentos).

Mesmos nas nossas melhores observações, nunca conseguimos definir bem aquelas mentes (que às vezes nos dava ânsia de vômito – tem muita gente idiota nas universidades mundo a fora), que dentro da sala fingiam amar o professor e, fora dela, faziam piadas e imitavam seus problemas de tiques nervosos. Mas, tudo bem, ser humano é assim mesmo, naturalmente falso.

Certa vez e sem a companhia do meu companheiro de guerra observatória, fui ao restaurante universitário do câmpus. Ali sim é um laboratório e tanto para essas observações. Aquele monte de estudante fazendo barulho feito animais irracionais, mastigando a comida como se a odiasse e quisesse estrangulá-la entre os dentes, com manias e hábitos pré-históricos à mesa. Que horror!

Ali, mesmo sem meu caderno de anotações à mão (eu gosto de anotar algumas impressões enquanto observo), consegui anotar diversas ideais sobre aquele bando de crianças que brincam de ser adultos. Naquele ambiente, a criança aflora em cada um e o babador que a mamãe põe abaixo da boca do bebê seria, com certeza, bem-vindo.

Sabe de uma coisa? Observação dessa natureza causa enjoo na alma, porque conseguimos ver no outro as nossas mazelas. 




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